Diabetes: o que é, sintomas, tipos, causas, diagnóstico e tratamento

O que é a diabetes?

A diabetes é uma doença crónica e metabólica caracterizada pelo aumento anormal dos níveis de glicose no sangue (hiperglicemia). Quando não tratada corretamente, pode causar danos sérios em diversos órgãos, como rins, olhos, coração e nervos.

A glicose é a principal fonte de energia do corpo e provém dos alimentos que ingerimos. Para que ela entre nas células, é necessária a insulina, um hormônio produzido pelo pâncreas.
Na diabetes, ocorre uma falta total ou parcial de insulina, ou o corpo não consegue utilizá-la adequadamente. Como resultado, o açúcar acumula-se na corrente sanguínea.

Principais sintomas da diabetes

Os sintomas podem variar conforme o tipo de diabetes, mas os mais comuns incluem:

  • Sede excessiva (polidipsia);
  • Urinar com frequência (poliúria);
  • Fome constante (polifagia);
  • Cansaço e fraqueza;
  • Boca seca;
  • Visão turva;
  • Feridas que demoram a cicatrizar.

No caso da diabetes tipo 2, os sintomas podem demorar a surgir, sendo por isso considerada uma doença silenciosa. Já a diabetes tipo 1 tende a manifestar-se de forma mais rápida, geralmente na infância ou adolescência.

Durante a gestação, a diabetes gestacional raramente causa sintomas, sendo detectada em exames de rotina, como o teste de glicose.

Tipos de diabetes

Existem cinco tipos principais de diabetes, cada um com causas e características próprias:

1. Diabetes tipo 1

É uma doença autoimune, em que o sistema imunológico destrói as células do pâncreas responsáveis pela produção de insulina.
Geralmente aparece na infância ou adolescência e requer uso diário de insulina.

2. Diabetes tipo 2

É o tipo mais comum, geralmente associado ao sedentarismo, má alimentação e excesso de peso.
Nesse caso, o corpo produz insulina, mas as células tornam-se resistentes à sua ação.
É mais comum em adultos, mas tem aumentado entre jovens devido ao estilo de vida moderno.

3. Diabetes gestacional

Surge durante a gravidez devido à ação dos hormônios da placenta, que reduzem a eficácia da insulina.
Mulheres com excesso de peso, histórico familiar de diabetes ou que ganham muito peso na gestação têm maior risco.

4. Diabetes tipo 3

Ainda em estudo, esse tipo estaria relacionado à resistência à insulina no cérebro, podendo estar associada ao desenvolvimento da doença de Alzheimer.

5. Pré-diabetes

É um estado intermediário, em que a glicose no sangue está elevada, mas ainda não atinge níveis diagnósticos de diabetes.
É um sinal de alerta e pode ser revertido com mudanças no estilo de vida.

Outros tipos menos comuns incluem: diabetes LADA (autoimune do adulto), diabetes MODY (genética) e diabetes induzida por medicamentos.
Já o diabetes insipidus é uma condição diferente, pois não envolve a insulina, mas sim problemas na regulação de água pelos rins.

Causas da diabetes

As causas variam conforme o tipo da doença:

Diabetes tipo 1

  • Origem autoimune;
  • O sistema imunológico destrói as células produtoras de insulina;
  • Fatores genéticos e ambientais podem estar envolvidos.

Diabetes tipo 2

  • Alimentação rica em açúcar e gorduras;
  • Sedentarismo;
  • Excesso de peso, principalmente na região abdominal;
  • Predisposição genética.

Diabetes gestacional

  • Produção de hormônios pela placenta que reduzem a ação da insulina;
  • Excesso de peso antes ou durante a gestação;
  • Histórico familiar de diabetes.

Diagnóstico da diabetes

O diagnóstico é feito através de exames laboratoriais de sangue, como:

  • Glicemia de jejum (≥126 mg/dL);
  • Teste oral de tolerância à glicose (≥200 mg/dL após 2 horas);
  • Hemoglobina glicada (HbA1c) (≥6,5%).

Em casos suspeitos, o médico pode repetir os exames para confirmação.

Como saber se é diabetes

Além dos sintomas, a avaliação médica e os exames laboratoriais são essenciais para confirmar o diagnóstico.
Pessoas com histórico familiar, obesidade, hipertensão ou colesterol alto devem fazer exames preventivos regularmente.

Tratamento da diabetes

O tratamento depende do tipo, mas geralmente inclui:

  • Mudanças no estilo de vida: alimentação saudável e prática regular de exercícios;
  • Medicamentos orais (como metformina) para controlar a glicose;
  • Insulina injetável, quando o corpo não produz o suficiente;
  • Acompanhamento médico e nutricional contínuo.

Dieta para diabetes

A alimentação deve priorizar:

  • Frutas com baixo índice glicêmico (maçã, pêra, morango);
  • Verduras e legumes frescos;
  • Grãos integrais;
  • Fontes de proteína magra (peixe, frango, feijão);
  • Redução de açúcares, doces e bebidas industrializadas.

Manter uma dieta equilibrada e com baixo teor de carboidratos simples é fundamental para o controle da glicose e prevenção de complicações.

Complicações da diabetes

Quando não controlada, a diabetes pode causar:

  • Retinopatia diabética (problemas de visão);
  • Nefropatia (comprometimento dos rins);
  • Neuropatia periférica (formigamentos e dor nos nervos);
  • Doenças cardiovasculares;
  • Amputações em casos graves de má circulação.

Como confirmar o diagnóstico e tratar a diabetes

A diabetes mellitus é uma doença crônica que altera a forma como o organismo utiliza a glicose, a principal fonte de energia do corpo. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são essenciais para evitar complicações e manter uma boa qualidade de vida.

 Como confirmar o diagnóstico de diabetes

O diagnóstico da diabetes é feito por meio de exames de sangue que medem a quantidade de glicose circulante.
O mais comum é o teste de glicemia em jejum, realizado após um período mínimo de 8 horas sem alimentação. Os resultados são interpretados conforme os seguintes valores de referência:

  • Normal: inferior a 99 mg/dL;
  • Pré-diabetes: entre 100 e 125 mg/dL;
  • Diabetes: igual ou superior a 126 mg/dL.

Se a glicemia de jejum apresentar valores alterados em duas medições distintas, o médico poderá solicitar exames complementares para confirmar o diagnóstico, como:

  • Hemoglobina glicada (HbA1c): avalia a média da glicose nos últimos 3 meses;
  • Teste oral de tolerância à glicose (TOTG): mede a resposta do corpo após a ingestão de glicose.

Esses testes ajudam o profissional de saúde a identificar o tipo de diabetes e a indicar o tratamento mais adequado.

 Tratamento da diabetes

O principal objetivo do tratamento é controlar os níveis de glicose no sangue, aliviar sintomas e prevenir complicações a longo prazo.
Embora algumas medidas sejam comuns a todos os tipos de diabetes — como alimentação equilibrada e prática regular de atividade física —, o tratamento pode variar conforme o tipo da doença.

1. Diabetes tipo 1

Na diabetes tipo 1, o corpo não produz insulina, por isso é necessário o uso diário de insulina injetável.
Geralmente, é administrada uma dose de ação prolongada pela manhã, para manter o nível basal do hormônio, e injeções extras de insulina rápida ou ultrarrápida antes das refeições, conforme os valores de glicose medidos com o glicosímetro.

Além disso, o paciente deve:

  • Planejar as refeições, controlando o consumo de açúcares e carboidratos;
  • Praticar exercícios físicos regularmente;
  • Manter acompanhamento médico contínuo.

2. Diabetes tipo 2

Na diabetes tipo 2, nem sempre é necessário o uso de medicamentos. Em muitos casos, mudanças no estilo de vida são suficientes para normalizar os níveis de glicose.

As principais medidas incluem:

  • Reduzir o consumo de açúcares e alimentos industrializados;
  • Aumentar a ingestão de fibras e vegetais;
  • Praticar exercícios físicos com regularidade.

Quando o controle da glicose não é alcançado apenas com a dieta e o exercício, o médico pode indicar o uso de:

  • Antidiabéticos orais: estimulam a produção de insulina, reduzem a produção de glicose pelo fígado ou aumentam a eliminação de açúcar pela urina;
  • Insulina injetável: usada quando os medicamentos orais não são suficientes ou contraindicados.

O controle diário da glicemia é fundamental, especialmente antes e após as refeições.

3. Diabetes gestacional

A diabetes gestacional ocorre durante a gravidez, devido à produção de hormônios pela placenta que reduzem a ação da insulina.

O tratamento é baseado em:

  • Dieta equilibrada orientada por nutricionista;
  • Atividade física leve e regular, como caminhadas;
  • Monitoramento frequente da glicose em casa.

Se essas medidas não forem suficientes, o médico poderá recomendar o uso de antidiabéticos orais ou insulina.
O diagnóstico precoce é essencial para evitar complicações para o bebê e para a mãe, como parto prematuro ou excesso de peso fetal.

 Dieta ideal para quem tem diabetes

A alimentação saudável é um dos pilares do controle da diabetes.
A dieta deve ser adaptada ao tipo de diabetes, às necessidades individuais e às orientações do nutricionista.

Alimentos a evitar:

  • Doces, bolos e produtos açucarados;
  • Refrigerantes e bebidas alcoólicas;
  • Pães e massas refinadas.

Alimentos permitidos (com moderação):

  • Frutas com baixo índice glicêmico (maçã, pera, morango);
  • Arroz e massas integrais;
  • Grãos, legumes e verduras frescas;
  • Oleaginosas, como castanhas e nozes.

Esses cuidados também são recomendados para pessoas com pré-diabetes, ajudando a prevenir a evolução da doença.

Diabetes em crianças

A diabetes infantil é mais comum na forma tipo 1, mas casos de tipo 2 têm aumentado devido ao consumo de alimentos processados e ao sedentarismo.

Os sinais de alerta incluem:

  • Sede excessiva e urina frequente;
  • Perda de peso repentina;
  • Cansaço constante;
  • Mudanças de humor.

O tratamento precoce é essencial para evitar atrasos no crescimento e complicações futuras.

 Possíveis complicações da diabetes

Quando a diabetes não é controlada, os altos níveis de glicose podem danificar vasos sanguíneos e nervos, levando a diversas complicações, como:

  • Doenças cardiovasculares (infarto, AVC);
  • Retinopatia diabética (perda da visão);
  • Neuropatia periférica (dor, formigamento);
  • Nefropatia (problemas renais);
  • Pé diabético (feridas e má cicatrização);
  • Infecções recorrentes e depressão.

O controle rigoroso da glicose, a alimentação equilibrada e o acompanhamento médico são fundamentais para prevenir essas complicações.

Referências científicas

  • OLIVEIRA, J. M. et al. Fisiopatologia e desenvolvimento do diabetes mellitus tipo 3 e sua relação com a doença de Alzheimer. Braspen Journal, v. 35, n. 4, p. 421-426, 2020.
  • AMERICAN DIABETES ASSOCIATION. The Diabetes Advisor – Type 1 Diabetes. Disponível em: professional.diabetes.org.
  • AMERICAN DIABETES ASSOCIATION. The Diabetes Advisor – Type 2 Diabetes. Disponível em: professional.diabetes.org.
  • SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES. Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes 2019-2020. Disponível em: diabetes.org.br.